Fazia um calor terrível em Peshawar. Fiquei literalmente bege quando o noticiário mostrou 47 graus na previsão da Fronteira Noroeste. Acordava no meio da noite quando ocorriam os famosos cortes de energia que nos deixava sem ar condicionado. O gerador da casa apenas fazia funcionar alguns ventiladores e poucas luzes de emergência. Quando olhava para o lado, Bubby estava enrolado em um cobertor apenas com seus pezinhos expostos. E eu, se pudesse, arrancaria a pele.
Assim foram meus poucos dias de visita, após uma temporada de curtas férias no Brasil. O calor paquistanês é cruel, talvez um pouco mais brando do que o dos Emirados Árabes, mas sem o conforto dos aparelhos de ar condicionado ligados twenty-four/seven.
Celebrei meu aniversario com a família Bubby. Infact, quem me buscou no aeroporto foi a famosa irmã que mora nos E.U.A. - e que não conhecia pessoalmente. Não preciso nem dizer que, sabendo disso, sai do avião cortando um prego. Deveria cumprimenta-la com beijinho no rosto ou saudação islâmica? Deveria fazer a quietinha ou simpática? Minha sorte foi que o casal (Bubby sister + marido) foram calorosos e simpáticos. Ganhei um mega abraço ali no aeroporto e me senti bem a vontade.
Ganhei até um bolo de café (brazilian, sacou, sacou?) da melhor confeitaria da cidade, a Italian Bakery, me entupi de paratha, chapli kebabs e toda sorte de mangas - o lado doce dos 47 graus e a temporada das mangas. Diferentes tamanhos, cores e formatos. Todas muito doces e sem aquele festival de fiapos que se prendem nos dentes, urgh. Nem preciso falar que voltei para Dubai com uma mega-blaster indigestão... Nada que uma boa secao de "chuca master" (meu tratamento com lactopurga + leite de magnésia) não resolvesse.
Vai uma manga ai, simpatia?
Também ganhei roupinha (sharwal kamiz), pashmina, sapatinho, pulseira, brinco, perfume e toda sorte de coisas que a turca adora. Todas escolhidas pelo meu Bubbyzinho, que sabe muito bem o que uma libanesa moderna quer usar na capital da Fronteira Noroeste.
No dia seguinte almoçamos no recém-inaugurado Cafe de Viento, em Hyatabbad, na periferia de Peshawar. Após dirigir entre ruas abarrotadas de flamboyants floridos e mansões de senhores tribais, chegamos até esse restaurante em forma de moinho de vento com menu tailandês, americano, italiano e indiano. Essa coisa de comer italiano no Oriente não orna. Tailandês me ataca as "ventas". Indiano idem. Logo, me joguei no steak com blue cheese.
O lugar é bacana, a comida estava bem gostosa e a apresentação do prato era joínha. Mas a música, gente, rolava um tribal nadas-a-ver. Acho que o ideal, ali, seria Julio Iglesias, huhuhu. Ou uma versão bem melosa de "La Barca", neahn? Kkkk. Porque de espanhol, ali non tinha nada. Mas valeu pela diversão e por conhecer um lado tao bonito da cidade. E estava pertim de Kabul, gente!
Minha viagem terminou ontem, quando embarquei para Dubai em um vôo da companhia paquistanesa Air Blue. As comissarias são muito simpaticas e prestativas. Bastava que eu encostasse a cabeca na poltrona e uma delas me trazia um cobertor, um travesseiro, um chá. Fiquei impressionada, afinal, a Air Blue é uma low cost bem pé de bode.
Também terminei, finalmente, de ler "A Cidade do Sol", do Hosseini, no modesto mas confortável lounge executivo do pequeno aeroporto internacional da cidade. Conseguia imaginar um dos personagens, Tariq, caminhando pelas ruelas e bazares peshawaris.
*** spoiler***
E pausa pro momentinho "ai que nerd!": quando Laila, capturada e interrogada por um talib após uma tentativa de fuga, disse que conhecia a Jamrud Road, onde ficava o Hotel Pearl Continental, pensei "ih, fodeu-se, o Pearl Continental fica na Khyber Road". Ihihi, foi o que o interrogador disse e deu super merdão. Então me senti super insider. Ok, neeerd!



0 comentários:
Postar um comentário